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Maior exposição de poesia do Brasil conta com quatro poetas piauienses

31/07/2017 08:24

Considerada a maior exposição de poesia do Brasil, a mostra Poesia Agora, realizada na Caixa Cultural Rio de Janeiro, conta com a participação de quatro poetas piauienses. O evento exibe trabalhos de 500 escritores contemporâneos brasileiros e estrangeiros.

Com curadoria de Lucas Viriato, criador do jornal de literatura “Plástico Bolha”, a exposição é dividida em seis alas que apresentam diferentes abordagens para textos poéticos,livros, vídeos, fotos, registros sonoros e saraus.

A mostra também faz um mapeamento do cenário da poesia contemporânea em diferentes regiões do Brasil, além de inspirar o público a criar seus próprios versos.

Do Piauí participam os poetas Thiago E., Adriano Lobão, Demetrios Galvão e Valciãn Calixto.  Demetrios e Valcian ressaltam que a mostra é importante porque dá visibilidade à poesia feita no Piauí. [Veja abaixo alguns poemas que estão na exposição]

“Somos quatros poetas locais participando da exposição e isso, na minha observação, apontam duas coisas interessante. A primeira, é que a curadoria está atenta ao que vem sendo produzido por todo o Brasil, o que é um ponto muito positivo, que confere à exposição um panorama amplo e plural. A segunda, mostra que a produção poética feita no Piauí tem reverberado em outros espaços”, avalia Demetrios.

Valciãn destaca que a mostra  já ficou em cartaz também em São Paulo e Bahia  “fazendo o nome dos mais de 500 poetas ali reunidos circular o Brasil”.

A mostra Poesia Agora segue em cartaz na Caixa Cultural Rio de Janeiro até o próximo dia 6 de agosto.

MOLESTADO


Findada a primeira infância,
Sinto nas cartilagens adobos
Deslocados de minha cidade,
Mística e então subdesenvolvida.
Mosteiro profanado,
Castelo vampiresco.
Enquanto me sou solo,
Devo averiguar suas riquezas
Com o parco Carbono-14,
Ou não, que me resta.
Antepassados de cada escavação interior…
Bandagem, gesso e resina.
O que não foi suficiente
Para preservar minhas avarias,
Tampouco foi para evitá-las.

Valciãn Calixto

 

ESTICAR O MUNDO


ainda é possível esticar o mundo com a palavra poética

se aliando ao balé das arraias
aos porteiros que abrem os caminhos do mundo
às armas de misericórdia dos infames
aos livreiros da diáspora
às mercearias que sediam confrarias fugazes
aos tuaregues mensageiros dos ventos-suburbanos
aos engenhos e cachaças mágicas
aos taxistas sobrenaturais que detêm a arte dos atalhos
ao cinema do oriente abandonado
às musas que habitam os labirintos da memória
aos andaimes dos cemitérios da carne
aos carteiros que espalham pontes silenciosas
às chuvas que inventam estradas aquáticas
aos jardineiros que curam e fazem partos nos canteiros
aos gatos que amaciam os recantos da cidade
aos pintores alados que enfeitam os muros
aos bem-te-vis arquitetos do assovio
às crianças que dominam gramáticas horizontais

… é  possível esticar o mundo.

Demetrios Galvão

 

PRESSA


a pressa traz nos braços sua bagagem de atrasos ; distribui de bom grado relógios enferrujados ; engorda na avenida e ergue novos obstáculos ; a pressa pintou-se moça e diz dar conta do recado ; chegou cedo e abriu a fábrica pro operário ; a mil por hora faz máquinas muito rápido ; a pressa medida com fita métrica tem tamanho de máximo ; corre com as pernas bem abertas empurrada pelo horário ; não descansou com o funcionário e acendeu o asfalto ; a pressa abraça as ruas, os telhados, mas não se vê tentáculos ; ajudou a motorista a jantar, a juntar o salário ; a pressa mostra a pá com a qual enterrará o passado ; acabou com a festa dos pássaros no mato ; não seca o suor na testa do trabalho forçado ; se fez sangue e força destes dias, destes maios ; constrói a época em que mais nada é acabado ; a pressa e trinta inícios por segundo por projetos ávido ; a pressa apenas, e apenas por pressa e princípios tem apreço ; a pressa só, sem limites, sem finais, sem desfecho – só começo:
Thiago E

 

OS NOMES DAS PEDRAS


deixai aqui nestas pedras o nome e a fábula
daqueles que almejam a revelação
para que o tempo os apague plenamente
em sopro enigma e luz
a mais cega das visões

comei e bebei com satisfação
pelo bem que propiciastes em dias passados
à espera da palavra e seus cavalos
que árduos disparavam
pela imensidão do verso

deixai também este verbo
impresso em talhe na mesma pedra de seus nomes
tu que és tantos e deixas tão pouco
para que o tempo também esqueça entre as pedras
a inútil memória do corpo

Adriano Lobão Aragão
Izabella Pimentel com informações da Caixa Cultural
Cidadeverde.com

 

 

 

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